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Pequena Notável

Uma das empresas de turismo mais admiradas do mundo

 

OPERADORA Sustentável

Durante o agendamento dessa entrevista, Neil Birnie, o pioneiro sócio-fundador da Wilderness Journeys, nos enviou um e-mail dizendo que estava retornando de “uma remota parte do Quênia“. Vinda de um explorador acostumado a viagens aos mais longínquos cantos do planeta, a frase serviu de estímulo para a imaginação e para especular o quão vasta e ainda remota a Terra pode ser. “Onde especificamente?” “No nordeste do Quênia, nos limites das terras dos Samburus.” A região de Samburu, no norte do Quênia, é uma região pouco habitada. No entanto, dias antes de falar com a reportagem da Adoro Viagem, nosso entrevistado estava realmente em uma das áreas mais isoladas e pouco conhecidas do mundo. “Agora estou em uma área um pouco mais civilizada, a 100 metros ao norte do Equador. Em Samburu, há algumas tribos intocadas. Há muitas pessoas que vivem da criação de animais e uma vida selvagem incrível”, descreve fotograficamente o ambiente que o rodeia. Afinal, parte do trabalho de Birnie é justamente fazer viagens de reconhecimento para descobrir novos destinos para seus sortudos clientes, que pagam um pouco mais de duas mil libras (cerca de R$ 7 mil) por dez dias de expedição. 

Filho de biólogos, Birnie formou-se em direito e logo se especializou na área ambiental. Na época, já tendo trabalhado para o fundo para proteção do meio ambiente e vida selvagem na África, o jovem escocês chegou a ajudar a implementar políticas para a expulsão de moradores de vilarejos na Tanzânia, visando a proteção dos animais. A estratégia provou-se ineficaz e, de volta à Escócia, inspirado pelas paisagens deslumbrantes do noroeste do continente africano, Birnie decidiu criar um pequeno empreendimento de turismo, a Wilderness Scotland, com viagens pela Escócia e Tanzânia. Hoje, a Wilderness Journeys é uma respeitada empresa de turismo sustentável com atuação em países nos três continentes e com uma coleção de prêmios como o Responsible Tourism Awards de 2006, além de diversas outras medalhas locais. 

“Pessoas sempre estão atrás de lugares novos e novos destinos. Como o problema de preservação existe, elas passaram a olhar mais para as áreas selvagens como montanhas, florestas e áreas naturais””, explica. “A WJ oferece uma experiência diferente que une essa possibilidade de experiência com o meio ambiente”. Tudo é baseado na maneira que os recursos dos clientes são passados para as comunidades. Por meio de pagamentos diretos de taxas para reservas de preservação ou por meio de pagamentos feitos para guias e famílias que recebam esses turistas. Além disso, a empresa também patrocina alguns projetos como reflorestamento e educação. 

Os grupos são reduzidos, com 6 a 12 pessoas por viagem, mas a Wilderness Journeys oferece a experiência para grupos ainda menores, de 2 a 4 pessoas. Com sede em Edimburgo, a WJ tem apenas 8 funcionários fixos. Na Escócia, as viagens pela costa de caiaque, mountain bike e viagens de barco pelas costas e ilhas na região oeste da Grã Bretanha ficam a cargo de funcionários da empresa. Já em destinos na África, Europa Ocidental, Américas e Ásia, juntam-se à equipe profissionais de empresas com filosofia similar. Nas áreas mais remotas, eles preferem trabalhar com guias locais, que conheçam a área intimamente e que possam oferecer a melhor experiência possível para os clientes.

Com atuação discreta na América Latina, a WJ não tem ainda parceiros para viagens exploratórias no Brasil. Segundo Birnie, por pura falta de tempo. “Mas está nos nossos planos.” Para quem estiver interessado em trabalhar com a pequena notável do turismo sustentável, ele adianta algumas qualidades essenciais procuradas em seus guias locais. “A Wilderness procura pessoas com paixão por áreas selvagens e aventuras. É muito importante que os guias tenham algumas qualificações formais de acordo com a atividade, seja trekking, caiaque marítimo ou mountain biking“. Mas destaca outras qualidades como mais importantes: ““atendimento ao cliente, paciência, bom humor e amizade”.  E, claro, disposição para ficar até 3 semanas fora de casa.

Apesar de conhecer os recantos mais belos e pouco acessíveis do planeta, Birnie considera-se uma pessoa até certo ponto caseira. “Eu gosto de viajar, mas não gosto de viajar o tempo todo.” Sua última grande viagem foi ao Canadá. “É maravilhoso estar perto dos ursos. Eles são incríveis. Ao mesmo tempo, você se sente insignificante, porque eles não estão nem aí para você”, diz maravilhado, que cita também um safári a pé ao lado de elefantes na Namíbia como outra experiência inesquecível, revelando a predileção recente por animais de grande porte.

Para ele, o contato com a natureza o auxilia no entendimento consigo mesmo e nas relações interpessoais. “Eu tenho muito respeito e entendo que a terra é um sistema interconectado. Quando eu me reconheço nisso tudo e vejo o meio ambiente sendo devastado, eu sinto pessoalmente”, revela, e continu: “Eu acho que é muito importante para as pessoas de países desenvolvidos passarem algum tempo em países em desenvolvimento para terem contato com aquelas diferentes realidades”, afirma, revelando as matrizes filosóficas de seu negócio. “Não é só a respeito do meio ambiente, mas sobre a relação das pessoas com o meio ambiente””, finaliza.

Saiba mais:

www.wildernessjourneys.com/

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