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Catherine Ireton

A cantora que conquistou o Belle & Sebastian

MÚSICA Catherine Ireton

Nascida no Canadá, mas criada na Irlanda, Catherine Ireton é a prova de que a mudança de ares pode dar frutos bem saborosos. Ela já fazia sucesso no grupo Elephants, na pequena cidade Cork, onde fez faculdade. Mas quando um dos membros da banda se mudou para Glasgow, levando consigo algumas gravações, sua vida mudou completamente. “Ele estava na mesma classe de pós-graduação que a namorada de Stuart Murdoch (líder do Belle & Sebastian). Murdoch escutou um dos discos onde Ireton canta uma mistura de pop e jazz e insistiu para que ela participasse da seleção promovida por rádio e internet para cantora do projeto God Help the Girl. Foram mais de 400 inscritas. No entanto, a voz de Ireton já havia conquistado os ouvidos do escocês e ela acabou se mudando para Glasgow para participar das gravações. De Edinburgo, onde mora com o namorado (ÂÂÂ“É compacta e combina mais comigo”, e enquanto Stuart Murdoch está isolado escrevendo o roteiro do filme), Catherine falou com exclusividade para a Adoro Viagem sobre mudanças, jazz e sobre os destaques culturais de Glasgow e Edimburgo.

Adoro Viagem – Onde você está agora?
Catherine Ireton – Eu moro em Edimburgo. Estou saindo de um take-away de comida chinesa com meu namorado.

Sério? Achei que você morasse em Glasgow.
Ah, sim, eu morei lá por um tempo, mas eu consegui um trabalho em Edimburgo e me mudei. Aqui tudo é um pouco mais compacto e combina mais comigo.
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Mas você não é do Reino Unido, não é?
É verdade. Eu nasci no Canadá, mas meus pais são irlandeses. Mas eu sou irlandesa mais do que canadense. Morei toda a minha vida na Irlanda e só me mudei para a Escócia há quatro anos.

Trabalhar com Stuart Murdoch influenciou sua maneira de cantar?
É interessante porque eu estava no estúdio e gravava e voltava a escutar as músicas um tempo depois. Eu me lembro do Stuart me dizendo que minha voz soava perfeita, mas que não era para soar perfeita sempre. Algumas vezes, era necessário que ela soasse mais crua. Então foi bom porque eu aprendi coisas que eu nunca tinha sido ensinada.

Como você foi escolhida como voz principal do God Help the Girl?
Na verdade não foi nada planejado. Porque nunca ficou estabelecido que eu seria a cantora principal. Eu nunca esperei que isso viesse a acontecer. Um ano depois de eu ter gravado a demo, ou seja, um ano antes do lançamento do disco, ele usou uma foto minha para a capa de uma EP. Foi só então que eu me dei conta de que seria a cantora principal. Até então, eu não fazia ideia. Porque várias outras garotas cantaram também.

Você sempre foi fã de Belle & Sebastian?
Sim, quando eu estava na Universidade de Cork (Irlanda), eu tinha uma banda e muitas pessoas achavam que a gente soava como Belle & Sebastian. E muita gente gostava de nosso trabalho. Mas isso foi há muito tempo, bem antes de eu me tornar um ser pensante.

Você já sabe qual é a história do filme?
A história é muito simples. É sobre uma garota que é bem inocente e está tentando se virar na vida. Daí ela conhece uma garota no café em que ela vai trabalhar durante o verão. Elas então se tornam muito amigas, mas elas estão individualmente perdidas. Na realidade, é a história de um amor não correspondido.

Como foi trabalhar com a banda? Eles parecem superconcentrados nos vídeos (documentários sobre a gravação de God Help the Girl).
Foi a melhor parte! (risos) Me desculpe.

Pelo menos eles parecem concentrados.
(Mais risos) Acho que o Belle & Sebastian trabalha tão bem e tão facilmente. Eu vi o Stuart trabalhando em uma canção sozinho e um tempo depois com a banda, e parece que eles estão ali inteiros para ele. Fica muito claro que eles se conhecem tão bem musicalmente quanto se conhecem como amigos. Há uma conexão muito forte de amizade musical ali.

Quais são suas cantoras prediletas?
Ella Fitzgerald é uma das minhas cantoras prediletas. Nina Simone ocupa um espaço semelhante. Mas eu também sou influenciada por cantoras que não são necessariamente cantoras de jazz, como a Regina Spektor, que tem traços de jazz na voz, um vocal forte.

Onde você ouve jazz quando está em Edimburgo ou Glasgow?
Há um ótimo bar chamado The Jazz Bar, em Edimburgo, que tem grandes noites vários dias da semana (confira serviço abaixo), então eu vou lá.

Já tocou lá?
Não.

Já está programada a sua volta para o projeto quando o roteiro estiver pronto?
Sim, mas na realidade ainda está tudo bem incerto. O processo de gravação do álbum durou quatro anos. Apenas o fato de ter cantando no disco já foi uma satisfação muito grande, então seria um bônus se eu tiver que fazer qualquer coisa no filme, mas eu ainda não sei quais são os planos, na verdade.

Foi assim também no começo.
Eu nunca pensei que fosse assim incerto e eu tinha de estar sempre por perto porque não se sabia o que mais eu teria de fazer. Então eu me mudei para Glasgow e fiquei na Escócia. Mas eu nunca pensei que fosse morar aqui. Eu não sabia direito o que estava fazendo. O Belle & Sebastian estava em turnê e o God Help The Girl ainda não estava rolando direito.

O que você acha da cena artística de Glasgow?
É muito empolgante e animada. E é levada a sério. É muito mais fácil ser músico aqui do que em qualquer outro lugar em que morei. Dá para viver como músico lá nem que você toque em um pequeno café no West End da cidade. E está sempre cheio. Talvez porque o clima aqui seja tão ruim. Eu até poderia dizer que é o mesmo que acontece na Irlanda, mas aqui existe mais respeito também por parte da indústria. Teatro também é forte aqui e é claro que em Edimburgo há o festival (Festival Internacional de Artes de Edimburgo), o que contribui para que existam muitos artistas e muita arte acontecendo todo o tempo.

Você já chegou a atuar?
Sim, eu estudei teatro na universidade e já participei de muitos musicais.

Você é fã de música brasileira, conhece algumas bandas?
Sim, sou. Hum. Mas não consigo me lembrar de nada agora (risos). Desculpe. Por favor, você podia me falar de algumas?


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